Morte à Imortalidade!

“-640 Kilobytes é mais do que o suficiente para qualquer um”, dizia* Bill Gates há 30 atrás. Bem, os tempos mudaram e assim como hoje já é ultrapassado carregar menos de 1 gigabyte de música no celular, outras coisas que a algum tempo atrás pareciam loucuras estão tornando se realidade a cada dia.

O homem vem quebrando barreiras, ficando mais “esperto”, mais ateu, mais religioso, talvez mais independente, e, por que não, mais rápido? Do machado de pedra à espada foram mil anos, já do disquete “tijolão” ao disco blue-ray bastaram pouco mais de uma década, e o que antes era feito em um minuto caiu para quase nove segundos com Usain Bolt.

Outro dia ao fazer minha leitura mensal da revista Super-Interessante me peguei lendo um artigo sobre a tão sonhada imortalidade. Ali constavam promessas de que em até 50 anos o homem pode finalmente conquistar o que durante muito tempo lutou para encontrar uma solução, driblando a morte de forma quase que definitiva.

Pílulas, células tronco, embriões, clonagem. Estava tudo ali misturado a outras palavras da moda cientifica ao longo de linhas divididas em algumas páginas.

Bem, não estou aqui para discutir sobre a veracidade das informações, afinal, por trás de todo o sonho de ser imortal existiam realmente argumentos concisos e embasados para defender a tese. Inclusive já existem espécies consideradas imortais na natureza, espécies essas que são estudadas avidamente pelos cientistas que não se conformam em não conseguir explicar completamente como isso é possível.

O ponto é: Será que a imortalidade é algo assim tão bom quanto parece?

Não, definitivamente não sou o cara mais religioso do mundo, e nem sempre ética e moral rodeiam minhas atitudes, mas também não sou de todo avesso aos princípios de convívio social nem das regras consideradas básicas para o desenvolvimento comum, que sabemos que existem mesmo sem nunca tocarmos no assunto e as respeitamos muitas vezes incondicionalmente sem nem perceber.

Não acho que tudo acontece com base em uma ordem lógica de acontecimentos, muito do que acontece por ai é mera obra do acaso, ou seja, são fatos aleatórios que simplesmente não tem explicação para terem acontecidos, embora muitos insistam em creditá-los ao “destino”, o famoso “aconteceu por que tinha que acontecer”, como a morte de um “inocente” ou a imensa “sorte” de um jogador ao acertar os seis números sorteados na mega-sena.

No entanto nem tudo é acaso, existem regras que são respeitadas desde os primórdios da evolução, não por consenso comum, mas por que aparentemente “tem que ser assim”, como eu já disse. Uma delas é a seqüência lógica da linha existencial de um ser, resumindo: nascer, crescer (evoluir), envelhecer e finalmente morrer.

Não é algo tão racional uma espécie tornar-se imortal, a menos que tenha alcançado a plena evolução natural e, além disso, não reproduza mais, por motivos óbvios, como a superpopulação, visto que não habitamos uma área com tamanhos imensuráveis (ainda…).

Ser imortal seria por um lado o ápice da evolução natural que Darwin tanto defendia, por outro lado, ser imortal dependendo de narcóticos, drogas fármacos e injeções de célula-tronco não pode ser considerado o auge da evolução, pois assim sendo ainda dependeríamos de mais do que nós mesmos para sobreviver.

Do ponto de vista não-cientifico, o famoso emocional, acabaríamos por ser pessoas fracas, não aprenderíamos a evoluir com a morte de alguém querido (acredite, a morte é um mal necessário). E o que faríamos em uma vida eterna? Aposentadoria simplesmente não existiria, então junto com a imortalidade ganharíamos o direito de trabalhar e nos estressar para o resto da vida, ou para o resto do sempre, se preferir.

Tendo em mente que sempre teríamos segundas chances na vida, jamais daríamos valor as nossas conquistas, nem mesmo a nossos amigos já que depois de uns duzentos anos eles perdoariam nossos “vacilos”. O amor seria algo praticamente inexistente, como já tende a ser, ou alguém aturaria conviver com um mesmo parceiro sexual para sempre? Além disso, não haveria mais graça em comemorar o centésimo titulo conquistado por seu time de futebol. E se hoje muita gente já deixa os afazeres para “amanhã”, então nunca mais sairíamos da mesmice, deixando tudo para fazer depois, afinal, teríamos tempo para fazer depois, definitivamente…

Bem, o texto já está grande o bastante para ninguém ler, mas o que eu queria propor era uma reflexão: “Será que seria tão bom ser imortal?”. Parece loucura, mas, como é bom saber que vou morrer um dia, espero que demore, mas espero que chegue.

Por fim, um pensamento simples, de minha autoria “Assim como é necessário o mal para a existência do bem, sem morte, não há vida.”

*Essa frase foi usada por encaixar-se perfeitamente como elemento inicial do texto, porém, esclareço que essa frase não passa de uma lenda urbana. Bill Gates nunca disse isso, como pode ser lido nos sites de referência no final do post.

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Referências:

Super-Interessante

How Stuff Works

Veja também:

3 Respostas para Morte à Imortalidade!

  1. Henrique Guedes disse:

    Morte à Imortalidade, afinal. O homem curioso já meteu o dedo em todos os buracos do mundo. Alterou conceitos, paisagens e aparências. Agora, mudar o sentido biológico natural da espécie é ganância sem tamanho.
    O mundo sem morte? Isso não seria legal. Não mesmo. Conversa de cientista doido. O pior é que será direito da população ter acesso à droga do fim da morte. Desse direito não quero gozar; não temos direito de ter acesso à nossa própria subjetividade, à nossa sociedade, à nossa vontade, mas temos o direito de vivermos para todo o sempre, de sermos escravos da vida.

    Viver em estado de decomposição, mas uma decomposição viva. Assustador. Viver sempre, já pensou o problema que teremos?
    Uma das poucas leis que regem o controle da sociedade quer queira ou não, é a religião. Metade da população segue regras postuladas por alguém com cérebro de governante, estas escritas em um livro. Viver para morrer e reviver no Paraíso. A humanidade só tem um Deus por medo. Gosta de acreditar que a morte é uma coisa boa uma vez sendo o caminho do reino de Deus. Só seguem essas mentiras postuladas em nome do Coelho da Páscoa, digo, Deus (culpa do feriado, oras!) para não sofrerem no futuro. É uma idéia medíocre, mas é o que segura a sociedade.

    Não morreremos? Festa! Sem castigos. Sem penas. Até porque o mundo ficará tão lotado que será impossível as garras tiranas controlarem toda a população. Pensando bem morreremos mesmo assim. Violência e fome. Problema para a natureza, esta que será contaminada pelos corpos de muitos mortos-vivos. Será um verdadeiro filme de terror, ou melhor, Thriller.
    Será o inferno na terra, aquele mesmo relatado do livro das mentiras. O caso não será viver eternamente, e sim as conseqüências. O mundo estará lotado, sem comida suficiente, água ou banheiro público. Uma simples gripe será uma epidemia, já imaginou?

    Sinceramente não sei o que passa na cabeça humana. Que tal usar o dinheiro gasto nestas pesquisas e doar para os necessitados, como eu? Poxa! Daqui 20 anos, segundo estudos, a doença predominante será a depressão. Daqui 50 será, entre outras, a claustrofobia.

    Pensar em uma salada de fármacos que garanta a vida eterna não tem lógica. Permitir que o homem viva para sempre é não ter responsabilidade com os habitantes terrestres. Viver eternamente agüentando TPM das companheiras? Covardia. Uma prisão existencial. Espero ter a oportunidade de fazer parte dos últimos mortos, dos últimos que tiveram a liberdade de morrer naturalmente. Até o Michael Jackson que era feito de plástico morreu, por que nós humanos não podemos?

    • Eduardo Galileu disse:

      O que me chama a atenção é o fato de chamarem isso de evolução.
      Exatamente, alteramos conceitos, paisagens e aparências e agora estamos a caminho de tentar alterar o rumo natural da vida.

      Concordo. Desse direito não faço questão alguma de gozar. Muito pelo contrário, exijo que assim como outros direitos que nós temos(q não deveriam ser ignorados) ele seja ignorado.

      Já temos problemas de superpopulação com as coisas do jeito que estão, imagina sem morte.

      Acho que o rumo que está sendo dado às pesquisas é equivocado, e ao invés de tentarem algo para que vivamos para sempre, poderiam se preocupar em ajudar as pessoas a viver, no melhor sentido da palavra, suas vidas de modo proveitoso, e não apenas passando por elas… No caso, passando pela vida durante a eternidade, sem saber o que é viver…

      Para terminar, também gostaria que o dinheiro gasto com estas pesquisas fosse doado para os necessitados, como eu, rsrs. Assim como o dinheiro que gastam em aventuras “proveitosas” tecnologicamente ao espaço, ou que é investido no LHC para colidir particulas afim de reproduzir e descobrir como surgiu o universo, afinal, de que adiantará responder à essa pergunta??

      PS: uashuasehuhaushas, Michael Jackson era de plástico, kkkkkkk, Fato!

  2. Arthur L Lima disse:

    Bem, eu não teria interece de obter a vida eterna, sinceramente acho esse assunto de vida eterna meio utópico.

    Eu não me considero o cara ideal para comentar sobre este assunto porque acredito em vida a pós a morte, acredito que nossa vida aqui na terra é só uma passagem e tendo a justificar minha opinião com minhas crenças religiosas.

    Sobre o assunto de evolução, eu não chamaria de evolução da raça humana tomar pílulas e fazer operações para prolongar a vida, chamaria de evolução da ciência humana. Se essa mudanças fossem passadas aos descendentes, acredito que poderiamos chamar de evolução da raça.

    Com respeito ao nos intediarmos por fazer as mesmas coisas milhares de vezes eu também não posso afirmar. Se tivessemos vida eterna, poderiamos criar novas coisas para fazer, acredito que há um horizonte sem fronteira de passatempos, esportes, estudos, trabalhos e outras coisas que podem ser criadas ou descobertas.

    A cerca de relacionamentos, eu diria que fariamos mais amigos e teriamos mais tempo para tentar fazer as pazes com nossos “inimigos” ou pessoas que nos tenham feito mal, ou nós tenhamos feito mal a elas.

    Amor. Novamente usarei esse termo “utópico”, muitas pessoas chariam o que eu penso de utópico, mas o amor não deve ser baseado no sexo, ele faz uma parte muito importantante entre dois parceiros, mas a amizade deve estar acima disso. Se o casal se ama realmente, sexo não seria um impecílio mesmo em milhare e milhares de anos.

    Não creio que sem o mal não haja o bem. Um texto que um dia li, dizia que o mal não existe, ele é apenas uma expressão criada pelos homem para justificar a ausencia do bem. O escuro dentro de um ambiente não pode ser medido, pesado, ou estudado, porém se pode medir a luz que está dentro dele, a massa, a intensidade.

    Eu sei que fugi um pouco do tema de imortalidade mas comentei as partes que me chamaram mais a atenção.

    Gosto muito dos seus textos Edu, você tem um forte senso de opinião, continue sempre assim.

    Abraço!

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